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Refém do Espírito (100 Feet, 2008)

.........Se fãs de histórias de fantasmas já estão fartos de tramas em que os fantasmas estão presos a esse mundo para que algum humano possa auxiliá-lo de alguma forma, "Refém do Espírito" é uma válvula de escape interessante. Não existem mais fantasmas vingativos como antigamente. Mas o interpretado vagamente por Michael Paré poderia se tornar um vilão cultuado, caso esse filme não tivesse ganho uma distribuição limitada tanto nos EUA como aqui no Brasil, indo direto para as prateleiras das locadoras. Famke Janssen estrela esse horror, na pele de Marnie Watson, esposa de um policial que é presa após ter assassinado o mesmo, aparentemente em própria defesa. Conseguindo a liberdade condicional, Marnie volta para sua casa, local em que matou seu marido, mas deve cumprir mais um ano de prisão domiciliar com uma tornozeleira eletrônica que permite que ela se afaste apenas a um raio de 30 metros (os "100 feet" do título original) do sensor localizado dentro da casa. Mas, se viver enclausurada em sua própria casa e com recordações do passado de violência que seu marido lhe impôs, já parece insuportável, Marnie está para se dar conta de que seus pesadelos estão apenas começando; o fantasma de seu marido encontra-se aprisionado no local e vai tornar esses próximos doze meses de prisão domiciliar em um verdadeiro inferno. Até poderia ser o roteiro de uma comédia, entretando o roteirista e diretor Eric Red faz questão de deixar o espectador tenso em cenas propícias e até mesmo expõe uma violência inacreditável perto do final do filme, cumprindo perfeitamente o papel de chocar o espectador. Eric Red não é um nome familiar aos fãs de horror, mas pelo menos ele pretende ser, já com alguns projetos engatilhados para dirigir. Entretanto, deu o ar da graça pelos cinemas com o roteiro da refilmagen "A Morte Pede Carona" (The Hitcher). Ele não é exatamente um roteirista extraordinário, mas é de receber elogios a tentativa dele em tentar cercar qualquer tipo de pergunta em relação ao fato de Marnie nem ao menos tentar saitr da casa, apesar de não poder; afinal, trata-se de um fantasma, oras! Mas o roteiro de Red certifica-se de não deixar pontas soltas, introduzindo à história o fato de que Marnie sofreu algum abuso grave na prisão e que, se voltasse, com certeza seria morta por outras prisioneiras. Apesar desse grande esforço de não deixar buracos, o próprio roteiro se encarrega de alguns tropeços graves, como por exemplo os últimos 20 minutos de filme, em que a personagem central passa a tomar uma decisão mais absurda que a outra, deixando espaço para muitos, muitos buracos. Hora de abandonar a crítica, pessoal, spoilers no caminho. Depois do brutal assassinato do personagem de Ed Westwick, em sua vida fora de "Gossip Girl", Marnie inexplicavelmente decide esconder o corpo do garoto por acreditar que o detetive Shanks (Bobby Cannavale) possa prendê-la novamente. Até aí tudo bem, pode ser perfeitamente compreendido o medo dela. Mas o garoto não foi simplesmente morto. Ele foi praticamente desossado, teve sua mandíbula quase arrancada e sua cabeça esmagada no teto. Acredito que o detetive até cogitaria ter sido uma outra pessoa. Aliás, como ela conseguiu limpar o teto com tamanha rapidez? E se esperava-se que o maior absurdo da trama tinha passado, o final ainda reserva mais alguns, a começar pelo fantasma decidir, de última hora, quando Marnie ia ser presa novamente pela morte do garoto, se manifestar para o detetive. Com uma estupidez tão grande, não me admira mesmo que ele estivesse morto. Além das decisões nada plausíveis de Marnie, a resolução da trama deixa muito, muito a desejar. Se "Refém do Espírito" está repleto de seqüências de pura tensão (a sequência com a mão dentro de um torturador de pia é uma delas), a resolução aparece apenas como um artifício para encerrar uma história com um final feliz, independente de quais explicações terão que ser dadas depois. Famke Janssen, como sempre, faz um excelente trabalho; é uma atriz nata para o cinema de horror e é uma pena que não ganhe papéis realmente de peso fora da franquia "X-Men". O resto do elenco é dispensável. No final das contas, a protagonista forte acaba conseguindo segurar as pontas frouxas do roteiro e algumas escolhas da direção (lembrando, também de Eric Red) acabam tornando o filme um divertido passatempo de horror, mas será logo esquecido nas prateleiras empoeiras das locadoras.
por Artur Castro
19 de novembro de 2008
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