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Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2009)

.........Filmes de horror com uma câmera na mão não são mais novidades. Mas há algo completamente fascinante nesse tipo de filme, que parece captar uma falsa realidade inexistente em outros filmes de horror. Com exceção do deplorável "Diário dos Mortos" (George A. Romero's Diary Of The Dead), a maior parte dos seus exemplares - "A Bruxa de Blair" (The Blair Witch Project), "REC", "Cloverfield - Monstro" (Cloverfield), "Noroi" - encontraram sucesso na crítica e com o público, além de conquistarem uma legião incontável de fãs. O novo exemplar para se juntar a esse hall da fama é "Atividade Paranormal", que auxiliado por uma jogada de marketing inovadora e um boca-a-boca muito positivo através das redes sociais da internet, acabou tornando-se em alguns meses, o filme mas lucrativo da história, baseado no retorno do investimento, isso sem contar com a bilheteria fora dos EUA, cujas exibições somente acabaram de começar. Com pífios 15 mil dólares, "Atividade Paranormal" é o primeiro filme do israelense Oran Peli, mas parece que estará longe de ser o último - "Atividade Paranormal 2" já está programado para 2011 e seu novo projeto, "Area 51", já está em pós-produção. O drama sobrenatural conta a história de Katie e Micah, que têm experimentado alguns fenômenos paranormais que acontecem durante a noite. Para fins de registro e de entender o que está acontecendo (e também como parte de uma curiosidade infantil por parte de Micah), os dois decidem usar uma câmera para registrar os momentos noturnos da casa. Logo, descobrimos que Katie tem experimentado fenômenos parecidos desde criança, o que leva a crer que e algo que a segue e não algo que reside nessa casa em especial. E aos poucos, nós espectadores vamos, junto de Katie e Micah, esclarecendo esse longo mistério. Mas não sem antes colocar o espectador na mais profunda apreensão e tensão. Peli não tem pressa alguma para chegar onde quer chegar: constrói aos poucos a história, com pequenas pistas e pequenos detalhes, que nem sempre são complementados por um susto, o que permite que o espectador jamais saia de um transe de tensão, sempre esperando por algo que vai acontecer. São desses pequenos detalhes - uma luz que se acende, a porta que se move, o lustre que balança, barulho de passos - que torna a experiência de "Atividade Paranormal" tão assustadora. Conforme Micah e Katie se aproximam da verdade (ou provocam ainda mais a tal entidade), os fenômenos vão se tornando mais fortes e logo o espectador será testemunha de vultos bastante visíveis, cobertores voando e agressões físicas. E tudo caminhando para um final extremamente inesperado e perturbador, como não poderia deixar de ser ("A Bruxa de Blair", "REC", "Cloverfield - Monstro" e "Noroi" todos terminam de forma brusca e chocante). O grande problema de "Atividade Paranormal", que acaba nem sendo tão grande assim quando comparado com a excepcional qualidade de roteiro e direção, é a dupla de protagonistas (cujos nomes reais são mesmo Micah e Katie), que não parecem ter a química necessária para a história além da infantilidade de Micah acabar distraindo o espectador da trama. Um pequeno erro em meio a uma excelência pouco presente em filmes de horror que, não custa lembrar de vez em quando, foram feitos mesmo para assustar como "Atividade Paranormal".
por Artur Castro
11 de dezembro de 2009
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